Bilionário presidente e fundador do grupo Hapvida, que participou de encontro com Bolsonaro, demitiu médicos que se recusaram a receitar Kit Cloroquina.

15º brasileiro mais rico segundo a lista da Forbes, Cândido Pinheiro Koren de Lima, foi um dos empresários que se reuniram na noite de quarta-feira (7) para bajular o presidente Jair Bolsonaro. O empresário é presidente e fundador do grupo Hapvida, operadora do setor da saúde acusada de demitir médicos que se recusaram a receitar o Kit Covid, com hidroxicloroquina, a seus pacientes. O kit, sem comprovação de eficácia, é defendido por Bolsonaro.

“Eu não queria prescrever hidroxicloroquina a pacientes com a covid-19 porque não é um medicamento aconselhado por entidades de saúde. A pressão maior é para a prescrição da hidroxicloroquina. Queriam nos obrigar a prescrever”, disse um médico demitido da Hapvida em reportagem do jornalista Vinícius Lemos, da BBC Brasil, em agosto. Outros profissionais também foram dispensados após resistiram às pressões de aderir ao tratamento não comprovado.

A reportagem em questão teve acesso a um comunicado enviado por um dos coordenadores a empresa a seus funcionários afirmando que “TODOS os pacientes irão sair com a medicação da hidroxicloroquina (exceto os contraindicados)”.

Em dezembro, a empresa seguiu abusando da hidroxicloroquina, pressionando seus médicos a receitá-la, segundo reportagem de Inácio França, do portal Marco Zero. Mensagem enviada pela empresa a uma equipe de Recife diz o seguinte: “Caro médico, o Hapvida está distribuindo gratuitamente a hidroxicloroquina para o tratamento do Covid-19 para seus usuários. […] Quando indicado, NÃO DEIXE DE PRESCREVER. O corpo clínico corporativo mantém-se atualizado constantamente sobre os melhores tratamentos disponíveis para seus usuários”. “Nossos resultados corporativos fortalecem a hipótese que quando iniciado a droga na fase inicial mudamos o desfecho da doença”, diz ainda.

Em notas enviadas à BBC e ao Marco Zero, a empresa negou pressionar os funcionários.

O perfil Jairmearrependi comentou sobre a proximidade entre o dono da Hapvida com Bolsonaro e deu destaque ao apelido recebido pela empresa que abusa da cloroquina: “Hapmorte”. “Nenhuma surpresa com o dono da Hapvida indo jantar com o Bolsonaro. O Hapvida não só afirmou que a hidroxicloroquina estava dando resultados promissores em seus hospitais, como saiu distribuindo de graça na rede, como se fosse uma grande ação social. Chamam até de Hapmorte”, tuitou.

Segundo a Forbes, a fortuna de Koren de Lima mais do que dobrou durante a pandemia. Saltou de 1,6 bilhão de dólares para 3,7 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 20 bilhões), um aumento de 125%. Com o montante, ele ocupa a 15ª posição no ranking brasileiro e a 807º no ranking global. O número de bilionários cresceu no Brasil e no mundo mesmo com crise gerada pela Covid-19.