Feitosa encurrala a delegada

Engessado pela quantidade de candidatos, o debate do Sistema Jornal do Comércio trouxe para o público um fato novo, que pode ser o mote desta última semana. Quem levantou a lebre foi o Coronel Feitosa (PSC), que conseguiu emparedar a candidata Delegada Patrícia (Podemos), questionando a eficiência da atuação da policial.

Feitosa revelou um dado que até então não tinha se tornado público na campanha, em 2019, uma auditoria do controle externo do Ministério Público, apontou que Patrícia deixou 249 inquéritos prescreverem, quando era titular da Delegacia de Crimes contra a Administração e Serviços Públicos (Decasp).

Um inquérito prescreve quando se extingue, sem que seja concluído, muitas vezes por faltas de provas ou falhas no processo de investigação. “A prescrição de um processo de corrupção, se você não sabe, deveria saber porque é delegada, eu vou lhe dizer, demora 11 anos. Você não fez nada com essas pessoas. Por quê? Quem você quis proteger com aqueles processos que estavam prescritos? (…) Você é incompetente, Patrícia. Assuma”, afirmou o Coronel.

Ele disse ainda que Patrícia deixou 427 inquéritos abertos passarem mais de dois anos sem qualquer movimentação na delegacia. O blog teve acesso ao Relatório de Controle Externo da Atividade Policial citado por Feitosa, finalizado em março de 2019.

Nas considerações finais o documento determina: “redistribuição das investigações inconclusas que tratam de crime diverso do praticado contra a administração pública (76% do total)”. O relatório identifica ainda que a delegacia comandada por Patrícia não seguia os protocolos de produção de inquéritos adotados pela Polícia Civil e orienta para: “padronização do inventário com planilhas e tabelas compatíveis com o Sistema de Gerenciamento de Autos do MPPE, utilização de metodologia que permita compartilhamento de dados (cadastro e movimentação); implantação de agenda (metas) para a remessa dos procedimentos inventariados (passivo) ao Ministério Público; padronização da portaria de instauração de inquérito com tipo penal, data e local do fato, nomes da vítima e do suspeito; imediata comunicação do número do inquérito instaurado mediante requisição ministerial ao órgão requisitante do Ministério Público; distribuição de representação de medida cautelar (originária e prorrogação) diretamente no Ministério Público”.

Por conta da falta de padrões e organização na produção das investigações, o MPPE finaliza o documento pedindo que a Polícia Civil de Pernambuco fizesse a redistribuição de casos para outras delegacias. Postado por Magno Martins