LULA NA OCUPAÇÃO DO MTST: 'VOCÊS QUEREM APENAS CONQUISTAR O DIREITO À DIGNIDADE'

RICARDO STUCKERT
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou neste sábado (21) a ocupação do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, que reúne mais de 8 mil famílias em mobilização pelo direito de moradia desde o início de setembro. “Eu vim aqui porque é preciso mostrar para a sociedade brasileira, por todos os meios possíveis, que quem está acampado aqui, ou acampado em outro lugar, não está acampado porque gosta de ver a sua família dormir embaixo de um encerado ou de uma lona. As pessoas estão acampadas porque aos poucos foram perdendo as condições de cidadania que haviam sido conquistadas nesse país”, disse o ex-presidente.
A área ocupada tem 70 mil metros quadrados, e pertence à construtora MZM. No momento, o MTST e a Frente Povo Sem Medo estão enfrentando uma integração de posse, suspensa até a realização de uma audiência de conciliação. “Estamos empenhados nesta luta para reverter essa área em moradia”, disse um dos coordenadores do MTST que acompanhou a visita de Lula.
O líder do MTST Guilherme Boulos explicou ao ex-presidente como se deram as negociações até o momento: “O que eles queriam era fazer o despejo naquele momento e nós pedimos que fosse cancelada a reintegração de posse. O Tribunal de Justiça não cancelou a reintegração, mas condicionou e disse que a reintegração só pode ser cumprida depois de uma reunião do Gaorp, que é o órgão de acompanhamento das reintegrações de posse, em que terá de ter a prefeitura, governo do estado, governo federal, o movimento e a construtora que é dona da área. Essa reunião ainda não foi agendada. Então, há judicialmente uma reintegração, mas ela está condicionada a uma reunião de negociação”.

Boulos disse ainda que espera que as esferas de governo apresentem na reunião alguma alternativa para possibilitar a construção de moradias na área. “Não adianta fazer a reunião e os caras dizerem que não têm alternativa nenhuma”, destacou.
“Hoje quem está acampado é o trabalhador que ontem estava trabalhando, que ganhava um salário e podia pagar aluguel”, disse Lula sob uma tenda que reuniu os coordenadores, cozinheiras e cozinheiros do acampamento. “São pessoas que estão perdendo a esperança de ter uma casa, porque o governo Temer parou o projeto Minha Casa Minha Vida e não tem nenhuma preocupação de atender as necessidades da população mais carente. E é importante a gente dizer para a sociedade que vocês não são bandidos, que vocês não são invasores, que são cidadãos e cidadãs brasileiras que estão apenas querendo conquistar o direito à dignidade que nunca deveriam ter perdido.”
Lula afirmou que o governo golpista de Michel Temer não enxerga as necessidades do povo e que o espírito de sua visita ao acampamento era o de prestar solidariedade. “Eu espero que nesse tempo que a justiça deu se forme uma consciência política nesta cidade e neste estado, que o governador Alckmin se disponha a mandar o seu pessoal que cuida da habitação a vir conversar com vocês”, afirmou.
“Que o prefeito dessa cidade saiba que existe povo trabalhador acampado aqui na sua maioria ou na sua totalidade e que não tenha medo, esse povo não morde. Esse povo quer apenas conversar e que vocês compreendam a necessidade que ele tem”, disse ainda o ex-presidente. Ele conclui dizendo que espera que o governo do estado e federal transformem a área da ocupação em um conjunto habitacional “e que vocês possam morar dignamente com a família de vocês”.